Nos últimos dias em especial, tenho observado que aparentemente o número de pedintes em Salvador aumentou. Em conseqüência, as necessidades dos pedintes também parecem ter aumentado.
Se antes era a sobra da comida ou o gole do refrigerante que ele queriam, agora nem o prejudicial cigarro escapa.
Por ser fumante, constantemente tenho sido abordada por pessoas querendo dividir o meu cigarro. Confesso que estou me sentindo ameaçada e por vezes fico com receio de ascender o cigarro, com medo de ser novamente abordada.
Certa vez estava no Terminal Marítimo de Salvador, quando um cidadão me pediu o cigarro que eu havia acabado de ascender. Disse a ele que aquele seria o meu único cigarro ( como de fato foi) e sai. O cara foi me cercando, mas eu com todo o receio olhei-o firme e disse que não daria o cigarro. Ele por sua vez, me olhou de forma odiosa e disse; você é gente ruim viu!
Moral da história: é lamentável presenciar as cenas de abandono que os grandes centros nos proporcionam, porém, não dá para abdicar de certas necessidades e pior dos vícios.
Gostaria realmente de poder fumar o meu cigarro com tranqüilidade, embora perceba que está cada vez mais difícil fumar um cigarro em paz.
( Tatiane Peneluca )